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Psicólogos questionam qualidade de alguns cursos de formação em psicanálise. CRP orienta profissional a fugir de arapucas.

O Centro de Orientação do CRP tem recebido inúmeras cartas de psicólogos solicitando providências quanto a alguns cursos de formação na área da psicologia que estão sendo oferecidos em São Paulo.

A preocupação dos profissionais gira em torno da legalidade e dos princípios éticos de tais cursos, assim como de sua qualidade, já que são escolas que pretendem dar formação psicoterapêutica em condições notoriamente inadequadas. Um bom exemplo são alguns cursos que oferecem a possibilidade de atuação como psicanalista para pessoas que frequentarem seus cursos de no máximo três anos com apenas uma aula por semana. Além disso, destinam-se a pessoas sem nenhuma formação superior e em seus prospectos de divulgação não trazem nenhuma informação sobre os professores e sobre o responsável pelo programa.

Segundo informações do conselheiro José Roberto Tozoni Reis, o CRP compartilha as preocupações dos psicólogos e tem realizado discussões sobre o assunto. Tozoni explicou que a posição do Conselho é clara em relação à questão: tais cursos não oferecem a necessária qualificação e cabe ao CRP, juntamente com os profissionais, divulgar os valores éticos da profissão, alertando a população quanto aos riscos de se submeter a profissionais formados por tais escolas.

Apesar disso, não encontramos respaldo legal para nenhuma iniciativa prática por parte do Conselho, uma vez que a profissão de psicanalista não é regulamentada, sendo livre o seu exercício, explicou o psicólogo. Ainda assim, há formas de aferição de sua qualidade, a exemplo dos cursos de psicanálise que contam com reconhecimento público. A não regulamentação da profissão de psicanalista não significa que não haja critérios de legitimação dos cursos. A diferença é que essa habilitação é conferida pela credibilidade institucional que alcança cada escola segundo os critérios aceitos pela comunidade de profissionais. Entre eles a necessidade de que os candidatos a analistas passem por formação que inclui análise pessoal, supervisões e seminários.

O tempo de dedicação é um critério e já por aí pode-se questionar a validade dos cursos sobre os quais os psicólogos têm levantado suspeitas. Trata-se de iniciativas que divulgam boletins de informação apócrifos, que se limitam a fazer a publicidade do curso, como se fosse um produto qualquer, sem informações que garantam a qualidade.

De acordo com Tozoni, há agravantes pelo fato de tais cursos não estarem submetidos a nenhuma instância legal a que o usuário possa recorrer no caso de se sentir prejudicado. ?Acreditamos que os psicólogos não sejam o público mais vulnerável a esse tipo de engodo, já que, como profissionais da área, geralmente procuram se informar antes de buscar vínculos com sociedades, escolas ou grupos de formação. Por isso, temos orientado os profissionais no sentido de informar a população sobre os danos que esses cursos podem causar. E nos colocado à disposição de qualquer cidadão para esclarecimentos quanto aos critérios universais de reconhecimento e legitimação dos cursos de psicanálise, finalizou.
Fonte: CRP/SP

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